On Sat, 26 Feb 2005 00:58:18 -0000, Fernando de Sousa Ribeiro wrote:
> "João Canali" <canali54@[EMAIL PROTECTED]
> escreveu na mensagem
> news:1mt0dci2ykb0q$.120mk4vzt7irb$.dlg@[EMAIL PROTECTED]
>>
>> Como aqui já afirmei em outro post, as vantagens de unificação são
> de
>> pequena monta comercial (se pensarmos no comercio cultural entre
> ****tugal e
>> suas ex-colonias) e não funcionam na prática, já que os sotaques
> regionais
>> são absolutamente incontroláveis (andei vendo uns comerciais
> televisivos
>> dirigidos ao mercado angolano... dificil entender,
>
> Deve ser só **** causa da pronúncia. A publicidade virada para o
> mercado angolano é escrita e falada em ****tuguês. Pode acontecer,
> também, que os comerciais de que falas sejam dirigidos ao mercado
> caboverdiano, **** exemplo, e não ao angolano. Existe uma grande
> comunidade caboverdiana nos Estados Unidos.
Os anúncios foram montados para serem colocados na TV Globo Internacional
tendo como alvo o mercado angolano, onde o sinal desta emissora é recebido
via satelite **** quem tenha a assinatura do mesmo. Quando falei em sotaque
regional, me referia a pronúncia, é claro.
>
> Aqui vão dois exemplos de links angolanos, escritos e falados em
> ****tuguês:
> http://www.ebonet.net
(****tal angolano)
> http://www.recclesia.org/index.php?page=1
(jingles de uma rádio de
> Luanda)
>
>> acredito que termos dos
>> dialetos tribais começaram a entrar na língua falada no dia a dia...
>
> Alguns termos entraram, sem dúvida nenhuma.
>
> Os "dialectos tribais", como lhes chamas, talvez com uma ponta de
> desprezo, são línguas de pleno direito. Têm uma gramática e um
> vocabulário próprios, uma riquíssima literatura oral (alguns deles
> também têm literatura escrita) e uma grande versatilidade, que
> facilita uma sua adaptação aos tempos modernos. Esses "dialectos" são
> a expressão da própria cultura e da própria maneira de ser dos
> africanos. São idiomas que merecem ser acarinhados e cultivados ****
> todos quantos os receberam dos seus antepassados.
>
Uma ponta não, a lança toda... ;-) O que dizes confirma meu ponto de
vista,
ou seja, que fatores regionais invalidarão de forma expontânea qualquer
esforço de padronizar a maneira de falar... Como penso que a escrita deva
retratar o mais que possível a maneira como se fala (ao contrario do
inglês, que como bem lembras, é um fracasso nesse sentido), a ideia de
necessariamente ter que unificar a lingua entre nações de três continentes
diferentes me soa como algo autoritario e impositivo, além de
desnecessario. Teria que haver uma vantagem estratégica comum a essas
nações (reconheço isso para o espanhol e o inglês). Se houver essa
vantagem
em relação ao ****tuguês essa não será maior do que simplificar e
modernizar
sua parte ortográfica de uma forma que só será eficiente (acabar com o
cedilha, o s com som de z, os dois ss e **** aí vai...) se isto acontecer
em
bases regionais, ninguém tendo que se ater com os sentimentos
tradicionalistas dos outros. Esse é meu ponto.
>> a
>> distância de entendimento, ou grau de dificuldade, ou número de
> palavras
>> perdidas **** frase é significativo...) Bobagem sacrificar a
> capacidade de
>> inovar em direção ao que possa ser mais prático; A língua
> ****tuguesa,
>> apesar de linda, é, principalmente em sua parte ortográfica, uma
> expressão
>> desse cancro burocratico que aflige nossa alma cultural, essa
> herança
>> maldita que parece afetar a todos que falam ****tuguês...
>
> Tinha que ser. A culpa tinha que ser dos ****tugueses! *Dois séculos*
> depois da independência, tudo quanto acontece no Brasil é **** culpa
> dos ****tugueses e de mais ninguém! Será possível que vocês não se
> apercebam da figura ridícula que fazem?
Não leve **** esse lado. Se, **** exemplo metaforico, meu nariz é grande em
demasia em função de herança genética de meu paí, outro bicudo, posso
perfeitamente afirmar que a "culpa" é dele ou, como força de expressão,
falar até de "herança maldita". Evidente que a culpa de não realizarmos
uma
operação plástica que corrija o defeito será sempre nossa e que isso nada
tem a ver com o fato de nosso pai achar a bicanca dele linda de morrer, ou
intocável ****quanto obra de um deus qualquer, ele só não tem o direito de
exigir que também achemos lindo seu/nosso tucanaço. O fato im****tante é a
constatação de que o nariz é grande, incômodo e feio.
>
> Achas, ****tanto, que a ortografia da língua inglesa -- em que,
> inúmeras vezes, o que se escreve não corresponde ao que se diz --
> será, também ela, expressão da "herança maldita" deixada **** ****tugal?
> E o que é que dizes da ortografia da língua francesa? E da de muitas
> outras línguas? Haja paciência!
>
Se dexei a entender que penso que a língua seria a causadora da alma
burocratica, queira aceitar minha retificação... O que penso é que a
ortografia da língua ****tuguesa é um reflexo coincidente desse impulso
burocrático facilmente constatável nos dois povos.
>> Não pode ser
>> somente uma coincidência... a propósito, outro dia tomei
> conhecimento de um
>> relatorio que dava conta que só dois países no mundo possuiam mais
>> complicações trabalhistas que o Brasil, um deles era ****tugal...
>
> E isso prova o quê? Poderás dizer-nos qual é a posição que é ocupada
> pelos outros países que têm uma "herança" ****tuguesa?
>
Isso é prova que o nariz é grande de verdade, não apenas uma impressão que
desagrada ao filho. Não admitir os vínculos culturais entre brasileiros e
****tugueses é pior do que não querer modificar as partes que não são boas
(sem ter que consultar ou pedir permissão ao pai). O filho haverá de
gostar
de ter herdado um pinto igualmente grande. Corte-se o nariz e mantenha-se
o
pinto. ;-)
Quando li acerca do relatorio confesso ter ficado surpreendido, pensava
que
o trabalhismo (fenômeno socio-politico) no Brasil era um fenômeno ligado
ou
derivado especificamente do populismo de um ditador de merda que tivemos,
ao saber que em ****tugal também havia dificuldades do gênero, percebi que
as sementes lançadas pelo tal ditador encontraram um terreno fértil na
alma
cultural, que sempre foi chegada a uma complicação para consequente venda
de facilitação... Será que as complicações trabalhistas em ****tugal
surgiram **** meio de algum laivo populista de Salazar? Afinal, Mussulini,
Franco, Salazar, Vargas, Peron todos beberam na mesma fonte... Valeria uma
investigação mais profunda.
>>
>> **** outro lado, temos que ser justos e observar que no Brasil ainda
> existem
>> muitos analfabetos (não, não pensei em mim, nem em nosso presidente,
> falo
>> dos 30 milhões que estão ali na linha da absoluta...)e que o sistema
>> educacional não possui uma verba adequada, manter uma língua cheia
> de
>> sinais inúteis é pura covardia, aquele elitismo mais detestável e
>> abominável, próprio de um insenssível senhor de escravos que se
> declara
>> conservador como se implicitamente isso não significasse que só está
>> desejando manter seu status quo... um professor de ****tuguês ou de
> qualquer
>> outra materia qualquer que quer a dificuldade que domina para
> valorizar sua
>> sapiência adquirida.
>>
>> Bruno, você não pôde acentuar (a excessão do <e'> que usates) e
> duvido que
>> alguém tenha deixado de ententer ou que fosse ler errado o que
>> escrevestes... Então? Prá que complicar?
>>
>> O pior disso tudo é que os indivíduos que decidem sobre esse tipo de
> normas
>> não possuem nenhum compromisso com a vontade da maioria da
> população, aliás
>> nem sabemos quem são, o que pensam, etc.
>> --
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>
> O Cristo-Rei do Corcovado te ilumine o espírito, que bem precisas.
>
O que mais me im****ta aqui Fernando é que minha opinião tenha sido
entendido. Meu ponto de vista diante a proposição inicial do thread (como
chamarão isso em ****tugal? Fio de Rosca? (Fio da) Meada seria
simpático...)
é que o Brasil, assim como qualquer outro país da chamada comunidade
lusófana, deveria realizar reformas (urgentes e necessarias) na ortografia
de forma autônoma, pois vejo dessa forma melhores condições de atender as
necessidades regionais. Falando pelo que penso da necessidade brasileira,
diria que o país precisa acordar e aprimorar sua capacidade de inovar e
fazer **** conta própria, de facilitar a vida de sua enorme população
carente (cujo acesso a educação formal é dramaticamente prejudicada ****
diversos motivos, não precisando da complicação adicional de uma
ortografia
complicada e ineficientemente tradicionalista) e de quebra... quem sabe
não
acabando com os cedilhas não começariamos **** acabar também com os
cartórios e outros ícones da burocracia que impedem nosso progresso... Da
mesma forma como você acredita nos holofotes de um cristo rei eu posso me
dar o luxo de acreditar em uma pequena alquimia cultural ;-)
> ***primentos
>
> Fernando de Sousa Ribeiro
> ****to, ****tugal
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