Se a lingua que se fala no Brasil é uma lingua agrafa, também em ****tugal
acontece o mesmo, na maior parte do seu território, então o ****tuguês é só
uma lingua de escrita, como o chinês.
Mas o ****tuguês do Brasil é reconhecido como a lingua ****tuguesa anterior
a
Pombal e às guerras peninsulares. O sotaque é igual, segue a lingua
escrita,
contrariamente ao ****tuguês de ****tugal actual, que subiu outras
influencias
posteriormente. Então o ****tuguês do Brasil não é tão uma lingua agrafa
quanto o ****tuguês de ****tugal, se considerarmos só o sotaque. O que é
impossivel é não falar com o sotaque de um ****tuguês de ****tugal, quando
se
quer seguir as regras gramaticais francesas e se quer, ao mesmo tempo
falar
sem pompas. Acho que simplesmente, ****tugal falhou em crear as suas
próprias
regras gramaticais no século XVI como o fizeram os ingleses(não ****que são
mais espertos, mas ****que a lingua deles era diferente demais do latin,
não
tiveram como não o fazer) e hoje em dia sofremos todos disso. No ápice do
império ****tugês, os nossos reis, principalmente Joao III(o nosso Bush
Jr),
estavam mais ócupados com a inquisição e com expulsar os nossos
compatriotas
judeus mais inteligentes para a Holanda do que em crear regras
gramaticais.
É muita pena, pois hoje em dia se falaria ****tuguês no mundo inteiro.
Ainda não é muito tarde. Em ****tugal é, mas não no Brasil. Poderiam-se
fazer
regras de gramática simples, faceis de usar pelo povo brasileiro, e que o
permitiriam de aceder aos niveis mais altos da educação sem tanto esforço.
<dawnjessy@[EMAIL PROTECTED]
> wrote in message
news:1115886389.926818.183210@[EMAIL PROTECTED]
Duas Línguas do Brasil
(qual é mesmo a língua que falamos)
As línguas diferem muito pouco no que diz respeito a suas capacidades
expressivas. Mas, como é evidente, diferem muitíssimo quando a sua
im****tância cultural, política e comercial. Temos, **** um lado,
línguas como o inglês, o espanhol, o russo, o chinês, o francês (e,
mais modestamente, o ****tuguês) que servem a vastas comunidades, sendo
intensivamente utilizadas na política, na TV e na imprensa, na
ciência, na literatura etc. Elas são chamadas, um tanto
preconceituosamente, "língua de civilização".
**** outro lado, existem línguas de interesse puramente local, como o
xavante e o caxinauá entre os índios brasileiros, a maioria das
línguas africanas, muitos dialetos locais da Europa e da Ásia, e
assim **** diante. Essas línguas nem sempre são faladas ****
comunidades diminutas: embora algumas só tenham algumas centenas de
falantes, outras, (como o haussa, na Nigéria, e o quíchua, no Peru e
na Bolívia) têm vários milhões. O que as opõe às línguas de
civilização é que não são usadas intensivamente em toda a gama das
atividades da vida moderna. O quíchua, no que pesem seus muitos
falantes, não é veículo utilizado na grande imprensa, nem em obras
científicas, e tem uma literatura bastante restrita.
O caso mais extremo dessa limitação é das línguas realmente
desprovidas de tradição escrita. Estas podem possuir uma ortografia,
em geral de invenção recente, mas o corpo de material escrito nelas
é muito pequeno e restrito a certas áreas de interesse: alguma
literatura regional, traduções da bíblia feitas com vistas à
catequese, e pouco mais. Tais línguas se chamam "ágrafas"
(literalmente,"sem escrita"; mas já vimos que essa privação não
precisa ser absoluta). É o caso do xavante, do changana (falado em
Moçambique), do Bergamasco (falado em Bérgamo, no norte da Itália),
de muitas pequenas línguas da Itália.
Existe uma verdadeira multidão de línguas ágrafas pelo mundo afora.
Em geral, elas convivem com uma da línguas de civilização, que seus
falantes utilizam quando tratam de assuntos fora das necessidades do
dia-a-dia. Dessa forma, um cidadão de bérgamo, quando conversa com a
família, poderá exprimir-se em Bergamasco mas, ao tratar de
negócios, falará italiano; ao assistir a televisão, estará ouvindo
italiano; e seu jornal de domingo estará escrito em italiano.
Pode haver discussão entre os especialistas sobre quando é que uma
língua deve ser considerada ágrafa. Muitos sustentam que o maia,
língua indígena do sul do México, não é ágrafo, já que existem
textos nessa língua há vários séculos. Não precisamos entrar nessa
briga; creio que qualquer um pode ver diferença nítida entre uma
língua que serve a todas as necessidades da vida moderna e uma que
não o faz. A esta ultima chamamos "ágrafa".
Vamos mudar de assunto agora; mais tarde, tentaremos juntá-lo ao que
foi dito acima. Nosso segundo tema é o seguinte: que língua se fala
no Brasil?
Mas será que vale a pena fazer essa pergunta? Todo mundo (e todo o
mundo) sabe que a língua do Brasil é o ****tuguês. Além do mais, é
uma língua de civilização, segundo a definição que vimos. Basta
pegar um jornal, ligar a TV, passar os olhos nas prateleiras de uma
livraria, salta à vista que o ****tuguês é a língua do Brasil.
Não há dúvida de que a língua de civilização que serve é o
****tuguês. Além do mais, ela não está nem um pouco em perigo de
perder essa posição privilegiada: apesar do que se fala dos
progressos do inglês em certas áreas, o ****tuguês continua firme
como o veiculo de todos os aspectos da cultura brasileira.
A imensa maioria da população (incluindo os universitários) é
incapaz de se exprimir, e mesmo de ler, em qualquer outra língua.
Logo, como se pode ter dúvida sobre a posição do ****tuguês na
comunidade brasileira?
Mas notem que eu não perguntei qual era a língua de civilização do
Brasil. Perguntei que língua se fala no Brasil. Explicando melhor:
será que falamos a mesma língua que escrevemos e lemos?
Muita gente tem opinião sobre isso; mas para formar nossa própria
opinião vamos colher alguns dados. Digamos que estamos usando um
binóculo durante o jogo de futebol e um amigo também queira dar uma
olhada. Ele chega e diz:
- Me empresta ele aí um minuto.
É im****tante observar que essa é uma forma correta de falar naquele
local e naquele momento. E que qualquer pessoa poderia utilizar uma
frase como essa (não apenas as chamadas "pessoas incultas"). A
frase acima faz parte do repertório lingüístico de todos os
brasileiros; em uma palavra, é assim que nós falamos. Podemos
escrever diferente (**** exemplo, empreste-mo um minuto), mas falamos
daquele jeito.
Imaginemos outra situação: uma senhora está na confeitaria
encomendando salgadinhos; diz ela: Você pode fazer eles pra sábado? A
festa vai ser domingo, mas domingo eu não posso vim aqui, ****que o
bairro que eu moro é muito longe, e meu marido vai no jogo e vai levar
o carro. Aí eu busco eles no sábado, se você tiver de acordo.
Imagine a pessoa falando, e verá que essa fala é perfeitamente
natural. Mas escrita ela choca um pouco, ****que está cheia de traços
que não costumamos encontrar em textos escritos:
A preposição pra (em vez de para);
O infinitivo vim (em vez de vir);
A construção o bairro que eu moro (em vez de o bairro onde/ em que eu
moro);
A regência vai no jogo (em vez de ao jogo);
As expressões fazer eles (em vez de fazê-los) e busco eles (em vez de
busco-o ou mesmo, Deus nos livre!, buscá-los-ei).
O verbo tiver (em vez de estiver).
Agora, uns exemplos tirados da morfologia. A estrutura do verbo na
língua que falamos é bem diferente da que se encontra na língua que
escrevemos. Assim, há formas que nunca aparecem na fala, como:
O mais-que-perfeito simples (fizera, gostáramos, fora);
O futuro do presente (farei, gostaremos, irá).
Na língua falada em Minas, também raramente ocorre o presente do
subjuntivo (façamos, gostem, vá); essas formas são, entretanto,
usuais no Norte e Nordeste do Brasil.
O verbo falado difere do verbo escrito em outros detalhes.
Assim, escreve-se (ou, mais exatamente, as gramáticas mandam que se
escreva) quando eu te vir. Mas na fala essa expressão é difícil até
de entender; falamos quando eu te ver. As gramáticas afirmam que no
presente o verbo vir tem a forma vimos: nós vimos aqui toda semana. Na
fala, claro, só se viemos, seja presente, seja passado.
Na fala, o pronome nós é cada vez mais substituído **** a gente; e,
paralelamente, as formas de primeira pessoa do plural (fizemos,
gostamos, íamos) vão caindo em desuso. Há pessoas que não as usam
praticamente nunca.
Querem mais? Na fala, a marca de plural não precisa aparecer em todos
os elementos do sintagma. Assim, formas como esses menino levado (ou
mesmo, pelo menos em Minas, quês menino levado!) existem na fala de
todas as pessoas. Na escrita naturalmente, a marca de plural é sempre
obrigatória em todos os elementos flexionáveis: esses meninos
levados.
Mais um exemplo: o imperativo se forma de maneira distinta na fala e na
escrita. Falando, dizemos: vem cá; mas escrevemos: venha cá (no
Nordeste, esta forma é também a falada). Outro: falando, colocamos
com toda liberdade o pronome oblíquo no inicio da frase: me machuquei
na quina da mesa; escrevendo, tem de ser: machuquei-me na quina da
mesa. Mas outro: falando, nem sempre usamos o artigo depois de todos
(as): todas meninas têm relógio; na escrita, deve ser: todas as
meninas.
Acho que não é necessário continuar. As diferenças são muitas,
como todos sabemos. Elas constituem uma das dificuldades principais que
enfrentamos na escola, ao tentar produzir textos escritos. Aliás, ****
que temos tanta dificuldade em escrever textos em ****tuguês? Não é a
nossa língua materna?
A resposta é simples, mas pode surpreender alguns: não, o ****tuguês
(que aparece nos textos escritos) não é nossa língua materna. A
língua que aprendemos com nossos pais, irmãos e avós é a mesma que
falamos, mas não é a que escrevemos. As diferenças são bastante
profundas, a ponto de, em certos casos, impedir comunicação (que
criança de cinco anos entende empreste-lho?)
Em outras palavras, há duas línguas no Brasil: uma que se escreve (e
que recebe o nome de "****tuguês"); e outra que se fala (e que é
tão desprezada que nem tem nome). E é esta última que é a língua
materna dos brasileiros; a outra (o "****tuguês") tem de ser
aprendida na escola, e a maior parte da população nunca chega a
dominá-la adequadamente.
Vamos chamar a língua falada no Brasil de vernáculo brasileiro (ou,
para abreviar, simplesmente vernáculo). Assim, diremos que no Brasil
se escreve em ****tuguês, uma língua que também funciona como língua
de civilização em ****tugal e em alguns países da África. Mas a
língua que se fala no Brasil é o vernáculo brasileiro, que não se
usa em ****tugal nem na África.
O ****tuguês e o vernáculo são, é claro, línguas muito parecidas,
mas não são em absoluto idênticas. Ninguém nunca tentou fazer uma
avaliação abrangente de suas diferenças; mas eu suspeito que são
tão diferentes quanto o ****tuguês e o espanhol, ou quanto o
dinamarquês e o norueguês. Isto é, poderiam ser consideradas
línguas distintas, se ambas fossem línguas de civilização e
oficialmente reconhecidas.
Mas sendo as coisas como são, tendemos a pensar que vernáculo é
simplesmente uma forma errada de falar ****tuguês. Só que, para que o
vernáculo fosse "errado", teria de existir também uma forma
"certa" de falar; mas no Brasil não se fala, nem se pode falar
****tuguês. Imagine o seu companheiro de estádio de futebol dizendo:
Empreste-lo um minuto.
Ou então uma mocinha dizendo para a melhor amiga: Se eu vir amanhã,
devolver-lhe-ei estas velhas fitas de vídeo.
É evidente que essas pessoas ficariam, no mínimo, com fama de
pedantes.
As duas línguas do Brasil têm cada uma seu domínio próprio e, na
prática, não interferem uma na outra. O vernáculo se usa em geral na
fala informal e em certos textos, como em peças de teatro, onde o
realismo é im****tante; já o ****tuguês é usado na escrita formal, e
só se fala mesmo em situações engravatadas como discursos de
formatura ou de posse em cargos públicos.
Assim, o "certo" (isto é, aceito pelas convenções sociais) é
escrever ****tuguês e falar vernáculo. Não pode haver troca: é
"errado" escrever vernáculo e é também "errado" falar
****tuguês. Não sei se gosto dessa situação; mas é um fato
arraigado em nossa cultura e temos de conviver com ele. E **** isso
mesmo há neste site um link que disciplina o ****tuguês.
Agora, uma observação: o vernáculo é a língua materna de mais de
cento e cinqüenta milhões de pessoas, que o utilizam constantemente e
não conhecem outra língua. Mas não se escreve a não ser em
ocasiões particulares, não aparece na grande imprensa e não tem
grande tradição literária: além disso, não é reconhecido como
língua oficial. Isso faz do vernáculo uma língua ágrafa, como as
que examinamos na primeira parte deste ensaio. Não só isso, mas com
toda probabilidade a maior língua ágrafa do mundo.
Já houve tentativas, ou pelo menos sugestões, de que se passasse a
escrever em vernáculo no Brasil. Mário de Andrade passou vários anos
escrevendo uma gramatiquinha da fala brasileira, que nunca chegou a
publicar, e que concebia como "parte de um projeto mais amplo, de
redescoberta e definição do Brasil" (Edith Pimentel Pinto, em sua
edição da gramatiquinha).
Como se sabe, Mário utilizava uma linguagem muito mais próxima do
vernáculo do que o ****tuguês escrito atual. Como disse ele: "Não
pensem que vou defender ****tugal e me tornar simpático pros ****tugas
nacionalistas não."
No entanto, isso não vingou, pelo menos até o momento. Continuamos a
escrever o vernáculo uma maneira errada de falar. Pessoalmente, não
tenho grandes objeções quanto a se escrever ****tuguês; mas acho
im****tante que se entenda que ele é (pelo menos no Brasil) apenas uma
língua escrita. Nossa língua materna não é o ****tuguês, é o
vernáculo brasileiro --- isso não é um slogan, nem posição
política; é o simples reconhecimento de um fato.
Assim, não se cogita de substituir o ****tuguês pelo vernáculo na
escrita. Mas, nos últimos anos, tem havido um aumento notável de
interesse pelo vernáculo como língua a ser estudada. Existem grupos
de lingüísticas que vem realizando um trabalho muito interessante de
descrição de estrutura do vernáculo. Há esperanças, ****tanto, de
que, dentro de alguns anos, se possa dis**** de gramáticas adequadas da
nossa língua materna, **** tanto tempo ignorada, negada e desprezada.
Mário A. Perini em ''Sofrendo a gramática''


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