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Re: [africaluso] Pedro Pires presidente de Cabo Verde

by "Jaques O. Carvalho" <jaquescarvalho@[EMAIL PROTECTED] > Apr 30, 2006 at 05:23 AM

Favor colocar a fonte dessas notícias, como a URL!

-- 
Jaques O. Carvalho
http://jaquescarvalho.mail15.com/
Grupo MSN: http://JaquesCarvalho.br.nu/
Orkut: http://tinyurl.com/cghw3
Gazzag: http://tinyurl.com/dtxhl

"Antonio Teixeira" <teixant1@[EMAIL PROTECTED]
> escreveu na mensagem
news:djotrn+93kh@[EMAIL PROTECTED]
 Pires presidente de Cabo Verde
Diário de Notícias

Kátia Catulo
Ricardo Jorge *


QUE OLHAR TEM HOJE SOBRE OS PAÍSES AFRICANOS DE LÍNGUA ****TUGUESA,
TRINTA ANOS APÓS AS SUAS INDEPENDÊNCIAS?

Não posso falar pelos outros ****que cabe a cada um fazer o balanço
relativo ao percurso do seu país. Quanto a Cabo Verde, a minha visão
vai no sentido de avaliar a forma como o cabo-verdiano, em geral, e a
juventude, em particular, encara os 30 anos de independência. Entendo
que hoje os cabo-verdianos têm maior confiança e encaram o futuro com
relativo optimismo. Cabo Verde ganhou no sentido em que há uma
afirmação da sua cultura e da sua identidade. Mas há também uma
consciência dos desafios que nos esperam. O futuro de qualquer país
é construído todos os dias e é fundamental que tenhamos, **** um lado,
confiança e, **** outro, uma ambição de viver, fazer e ter mais e
melhor. O Estado de Cabo Verde, apesar de todas as suas limitações,
afirmou- -se. Temos todos confiança no nosso Estado, nas
instituições, embora isso não signifique que não tenhamos ainda muito
para fazer. O desenvolvimento e a construção do futuro são
constituídos **** desafios permanentes que mudam de natureza.
****tanto, quando ultrapassamos uma etapa, surgem logo novos desafios.

E QUAIS SÃO AGORA OS NOVOS DESAFIOS DE CABO VERDE?

Um dos grandes desafios de Cabo Verde é a afirmação e a consolidação
do seu Estado de direito e sobretudo das suas instituições para
oferecer aos cabo- verdianos a paz, a estabilidade e a segurança
pessoal e colectiva. E isso só se pode garantir através do
funcionamento adequado das instituições de um Estado de direito.
****que só através desses instrumentos se poderá permitir a
intervenção de todos na sociedade, quer na área económica quer na
área social.
E são estas instituições que fazem também com que o país adquira maior
atractividade. Isto é, tornam o país atractivo para os nacionais que
queiram investir e viver aqui e, igualmente, para os estrangeiros que
desejem fazer o mesmo em Cabo Verde. Esse é, ****tanto, um desafio
determinante que permitirá aumentar a competitividade do país,
enquanto destino de investimento. Mas Cabo Verde teve avanços
im****tantes no domínio económico, embora tenha ainda muitas
fragilidades e limitações. Não quer dizer que os números **** si só
garantam a sustentabilidade do desenvolvimento. Há um longo esforço a
ser feito nesse sentido, mas, de qualquer forma, é um ganho
reconhecido **** todos. No domínio da educação há também ganhos
evidentes. Podemos dizer que quase toda a população infantil está
escolarizada. Os números na formação de quadros também são
animadores. Isso não significa que é suficiente ****que outro grande
desafio é adquirir a capacidade para tornar Cabo Verde competitivo e
isso passa **** fazer com que a população seja também mais produtiva.
São os desafios do desenvolvimento que também são os desafios da
globalização. Estamos em contacto com todos os outros e temos de ser
tão ou mais competitivos do que eles. Num ambiente de
subdesenvolvimento não é fácil criar essa competitividade e ganhar
essa competência. Tudo isso é preciso ser conquistado com um enorme
empenho dos cabo-verdianos e, principalmente, da juventude. É preciso
que se compreenda isso. Mas é preciso também reconhecer
que Cabo Verde, enquanto Estado independente, conseguiu o mais
im****tante. É hoje um Estado credível, tem o reconhecimento dos seus
parceiros e da comunidade internacional.

QUE RAZÕES PODERÃO EXPLICAR O FACTO DE CABO VERDE SER, ENTRE OS
PALOP, O ÚNICO PAÍS COM UMA ECONOMIA E UMA DEMOCRACIA ESTÁVEIS?

Entendo que não somos nem mais nem menos do que os outros. São os
contextos que condicionam os resultados. No nosso país nunca houve
guerra. Somos um Estado que chegou à independência através de meios
pacíficos e isso foi para nós uma grande vantagem. Além disso, Cabo
Verde teve sempre um nível de desenvolvimento cultural e de instrução
mais elevado do que as outras ex-colónias ****tuguesas, basta olhar
para a sua origem e a forma como se formou a sociedade cabo-verdiana.
Quanto ao resto dos resultados, entendo que isso vem do realismo, do
pragmatismo, do bom senso e do patriotismo da sua direcção política e
dos cabo-verdianos em geral. Não houve milagres nem nós temos dotes
superiores aos dos outros. Tudo isso vem da política que se pratica,
do contexto em que se vive e dos recursos que se tem à disposição.
Cabo Verde tem, para além do seu território, uma outra dimensão que é
a sua diás****a. Não podemos desligar os ganhos de Cabo Verde da
contribuição das diás****as cabo-verdianas espalhadas pela América e
Europa.

A PRÓPRIA RUPTURA NO PAIGC, QUE DEPOIS DEU ORIGEM AO PAICV, TEVE
CONSEQUÊNCIAS NO PERCURSO DO PAÍS.

Não gostaria de responder a essa pergunta ****que não tem muita razão
de ser. Cabo Verde anda pelos seus pés e faz o que acha ser melhor
para si, não atribuindo responsabilidades sobre aquilo que faz ou
deixa de fazer. O PAIGC desempenhou um papel im****tante na
independência de Cabo Verde. Não fosse o PAIGC, entendo que Cabo
Verde dificilmente seria o país que é hoje. Não posso trabalhar com
condicionais, só trabalho com o que aconteceu. A História não é
feita de condicionais, é feita do que existe. E o que existe baseia-
se apenas neste facto houve uma ruptura com a Guiné-Bissau e tomámos
o nosso caminho. É somente isso.

O FACTO É QUE ESSA CISÃO TROUXE IMPLICAÇÕES CONCRETAS PARA O PAÍS E
QUE NADA TÊM A VER COM AS TAIS CONDICIONAIS DE QUE FALOU.

Essas são questões que não têm qualquer valor hoje. Acho que não nos
devemos perder em pequenos detalhes que são uma espécie de armadilha,
que não têm nenhuma im****tância e nada têm a ver com o PAIGC neste
momento.

APESAR DE O PAÍS TER UM CRESCIMENTO ECONÓMICO ESTÁVEL, O FACTO É QUE
ISSO NÃO TEM TIDO UMA RELAÇÃO DIRECTA COM A REDUÇÃO DA POBREZA.

Isso é o que dizem.

ISSO É O QUE PELO MENOS DIZEM OS NÚMEROS 40% DA POPULAÇÃO DO
ARQUIPÉLAGO É POBRE, SENDO METADE MUITO POBRE.

É preciso andar **** aí e ver. Em Cabo Verde é difícil encontrar uma
pessoa mal vestida, descalça. Há muitas conquistas que se fizeram
nessa matéria. Ande **** esse campo fora e veja como é difícil
encontrar uma palhota. E tudo isso existia há 30 anos. As pessoas
estavam mal vestidas, descalças, as casas eram cobertas de palha.
Hoje nada disso existe. As pessoas não iam à escola, não havia
jardins infantis. Hoje a esmagadora maioria dos cabo-verdianos tem
essa possibilidade. Podemos sempre fazer as contas, utilizando certos
critérios.
Critérios estatísticos, numéricos e algumas informações que não
traduzem a realidade. Num país com uma economia onde existe uma forte
componente informal, é difícil ter a noção das dificuldades, do
desemprego, dos rendimentos, etc. Mas se formos ao fundo das questões
e tivermos em consideração a economia informal, é bem possível que
tenhamos algumas surpresas. O Cabo Verde de há 30 anos não existe.

SENTE QUE A DIÁS****A CABO-VERDIANA TEM VINDO A INTERESSAR-SE, A
PARTICIPAR E A CONTRIBUIR MAIS **** CABO VERDE?

Hoje o conceito da nação cabo-verdiana ultrapassa o território. É
aquilo que hoje chamamos a nação dias****izada. No meu ponto de vista,
os cabo-verdianos estão hoje muito mais interessados no país e mais
interessados em investir no país. Esse movimento em direcção à
consolidação da chamada nação global é uma realidade e vamos
trabalhar no sentido de uma maior aproximação e, também, no
sentido de procurar ver como é que essas diás****as podem contribuir
para o desenvolvimento mais rápido de Cabo Verde em todas as suas
dimensões. Estou a pensar, **** exemplo, nos recursos humanos
qualificados. A criação da Universidade de Cabo Verde poderá atrair
essas competências e isso poderá fazer da universidade pública de
Cabo Verde uma referência no futuro. Queremos incentivar essas
pessoas a trazer novas tecnologias a Cabo Verde. ****tanto, a nossa
ideia é estimular a união dos cabo- -verdianos em torno de um projecto
que passa **** tornar o país num Estado credível, respeitável, e fazer
de Cabo Verde uma economia que garanta o bem-estar de todos.

E O QUE PODE FAZER O PAÍS **** QUEM VIVE FORA, TENDO EM CONTA QUE A
MAIORIA ENFRENTA ENORMES DIFICULDADES, NOMEADAMENTE A COMUNIDADE QUE
VIVE EM ****TUGAL?

Desde a independência, Cabo Verde instalou consulados nos países de
imigração para dar cobertura aos cabo-verdianos residentes naqueles
países. Temos acordos de previdência com quase todos, senão com todos
os países onde vivem cabo-verdianos. Mais do que isso, fizemos
acordos no sentido de, no caso de um cabo-verdiano regressar ao país,
poder receber a sua pensão em Cabo Verde.
Junto dos cabo-verdianos temos defendido a ideia da dupla pertença.
Devem fazer um esforço de integração nos países de residência, sem
pôr de lado a sua origem, e devem investir na formação, como forma de
garantir mais facilmente a ascensão social. Temos insistido junto dos
cabo-verdianos residentes nos outros países que deverão procurar
participar na vida social desses países e, se puderem, fazer
política. ****que o voto é uma arma im****tante. Se os cabo-verdianos
se inscreverem nas listas eleitorais em ****tugal, poderão influenciar
o resultado das autárquicas e, em última análise, influenciar a
solução dos problemas como a habitação ou a integração social. Quanto
à questão da integração ou não integração, penso que ****tugal deveria
ter uma política de integração mais activa. É através da formação e
não através do insucesso escolar que se vai conseguir a integração.
Temos discutido e negociado isso com as autoridades ****tuguesas. O
que esperamos das autoridades ****tuguesas é que haja uma política de
integração que tem de passar pela formação, pela oferta aos jovens -
****que afinal alguns dos casos mais complicados são de cabo-verdianos
nascidos em ****tugal - de uma profissão, de uma condição de vida e
sobretudo na garantia de uma formação. A questão da integração é da
responsabilidade tanto dos países onde residem como, claro está, de
Cabo Verde.

CABO VERDE CONQUISTOU RECENTEMENTE UM LUGAR NOS PAÍSES DE
DESENVOLVIMENTO MÉDIO, NA CLASSIFICAÇÃO DA ONU. ISSO ACARRETA NOVOS
DESAFIOS, SOBRETUDO ****QUE O ARQUIPÉLAGO É AINDA MUITO DEPENDENTE DAS
AJUDAS EXTERNAS. COMO ROMPER ESSA DEPENDÊNCIA, PRINCIPALMENTE AGORA
QUE AS ATENÇÕES DA COMUNIDADE INTERNACIONAL NÃO ESTARÃO TÃO VOLTADAS
PARA O PAÍS?

A questão não está em ser pobre ou rico, mas em ser atractivo. Se se
quer trazer investimentos, ****que é essa a ****ta para o
desenvolvimento, temos de ser atractivos. Nesse momento o nosso país
é atractivo para a instalação das mais diversas actividades
económicas e financeiras. É certo que as ajudas serão mais
condicionadas. Cabo Verde negociou uma transição suave para a nova
condição de país de desenvolvimento médio, mas ninguém pode lamentar
os seus sucessos. Os êxitos devem estimular a ir mais além. Cabo
Verde não é um país destituído de recursos nem é um país pobre, que
precisa de ser carregado ao colo. Já provámos que podemos ganhar os
desafios.

NOS ÚLTIMOS MESES, A QUESTÃO DA ADESÃO DO PAÍS À UNIÃO EUROPEIA (UE)
TEM ORIGINADO ALGUMA POLÉMICA. OPÕEM-SE A UMA ADESÃO OU A UMA
PARCERIA?

A adesão e a parceria com a UE são duas questões diferentes. A UE
oferece parceira especial a Marrocos, Argélia, Turquia, e, nesse
sentido, penso que também poderia oferecer a Cabo Verde. Tendo em
conta a proximidade do nosso país com as Canárias ou a presença de um
número elevado de cabo-verdianos nos países membros da UE, penso que
se poderia pensar numa parceria especial. Mas isso será fruto de
muito trabalho, de muita discussão e de polémica. Acredito que nada
se faz sem conflitos, desde que não sejam armados. Teremos é de ter a
capacidade para gerir as contradições e ultrapassá-las. Mas Cabo
Verde vê com bons olhos uma parceria especial com a União Europeia.

PARCERIA SIM, MAS ADESÃO NÃO?

Francamente, isso deve ficar para depois, ****que a curto prazo não
vejo essa possibilidade. A Europa tem as suas fronteiras e não
seremos nós a mudar isso.

HÁ QUEM DEFENDA QUE A ADESÃO À UE FAZ SENTIDO NA MEDIDA EM QUE CABO
VERDE É UM CRUZAMENTO ENTRE O CONTINENTE AFRICANO E O EUROPEU. ISSO
TAMBÉM ORIGINA ALGUNS DISCURSOS CONTRADITÓRIOS, COM ALGUNS A DEFENDER
QUE O PAÍS ESTÁ MAIS PRÓXIMO DE ÁFRICA DO QUE DA EUROPA E OUTROS A
AFIRMAR EXACTAMENTE O CONTRÁRIO. AFINAL, DE QUE É FEITO O POVO CABO-
VERDIANO?

Cabo Verde é Cabo Verde e ponto final. Assumimos a nossa condição de
povo mestiço. Temos uma componente cultural europeia e africana. E
Cabo Verde está não só no cruzamento da Europa mas também da América.
Não precisamos de tanta conversa à volta disso. O im****tante é que
defendamos correctamente os nossos interesses e a nossa identidade.
Posso estar a dizer uma heresia, mas penso que é bem possível que a
cultura cabo- -verdiana seja mais rica que a europeia e mais rica que
a africana. Precisamente ****que tem uma componente que vem dos dois
continentes. **** isso não devemos ter complexo de ninguém e de nenhum
pois a nossa cultura é rica e tem a vantagem de ter uma grande
plasticidade .


* Chefe de redacção da RDP África



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Re: [africaluso] Pedro Pires presidente de Cabo Verde
"Jaques O. Carvalho&  2006-04-30 05:23:20 

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